propriedade: Essência do Vinho
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Reportagens

Da prisão ao Convento. 3 casos (in)suspeitos

Pinheiro da Cruz
Adega de Covilhã
Licor de Singervega

 Era uma vez a estória de três casas empertigadas em vinhos sui generis. Rumamos a uma prisão, Pinheiro da Cruz, e a duas ousadias religiosas, como um vinho comandado por judeus e um licor elaborado por frades beneditinos.
O que têm de sui generis? Na essência pouca parafernália tecnológica, muito artesanato, mas ainda assim preocupados com o selo da qualidade. No caso da Adega Cooperativa da Covilhã trata-se de uma unidade de vinhos já modernizada, responsável pela elaboração do judeu Kosher. Uma das delícias da saga está assente em Pinheiro da Cruz, onde o enólogo é um ex-guarda prisional que mais tarde cursou engenharia agronómica e é responsável pelo parque agrário da extensa propriedade. O engenheiro António Matias não tem peneiras quando fala à nossa reportagem. Não se confessando um enólogo faz o que pode e conta com alguns apoios de gente credenciada, como Paulo Laureano. O que sabe passa por um cúmulo de experiência feita a pulso. Espreitase a adega e, de facto, existe o essencial, mas tecnologicamente falta muito. O equipamento de rotulagem, por exemplo, é empírico, dedo a dedo… Dinheiro para mais não há e o que entra provém da comercialização dos vinhos, implicado em investimento na adega. Estágio em barricas é curto, estão por lá umas quantas pipas, mui vetustas, já deram o que tinham a dar e massas para novas é difícil. Tirando António Matias, o resto é braçal de detidos, o adegueiro é um condenado em que se faz fé, guarda-mor aos túneis onde brota o vinho e que mantém à distância qualquer tentação de prisioneiros seus colegas de lhe poder chegar à prova. Saltada para Singeverga, onde a música é outra… Os frades podem e devem beber o seu copinho de licoroso, que têm por excelente digestivo. No espaço exíguo da sua adega aquilo sugere uma qualquer unidade medieva. Mas é um carinho, o mais artesanal é impossível encontrar. A secção de rotulagem emprega uma senhora, impecavelmente trajada de branco, que com a minúcia de uma bordadeira cola ritma da rótulo a rótulo, vislumbra o alvo de cada garrafa e sai pronta ao milímetro. Até a frascaria das “poções mágicas” são catitas… Frascos de vidro com etiquetas feitas à mão, cada letra seu paladar no desencontro das linhas, ora para baixo ora para cima. Se os compostos do licor têm segredo? O nosso beneditino à conversa não cuida disso e revela tudo para conferir na reportagem aqui alinhavada nestas páginas. Já sobre a montra do vinho judaico, sui generis é o controlo ser feito por judeus, onde o acinte exige designadamente super-higiene. Em suma, falamos de vinhos (in)suspeitos? Que, contas feitas, de suspeitos não têm nada. Diferentes de todo o resto lá isso são.


PINHEIRO DA CRUZ
{VINHO LIBERTO DOS GRILHÕES}

É VINHO de prisão, dá à vida nos terrenos que antes eram pertença do falsário Alves dos Reis. Não tem estratégia de marketing, nasce em solos duros de roer, pode acabar quando o novo presídio estiver pronto… e é pena. Abrem-nos a porta da prisão e somos recebidos no gabinete de Rodrigo Mateus, adjunto da direcção, ex-guarda prisional que mais tarde obteve uma licenciatura e subiu às altas esferas da penitenciária. Disparámos a pergunta já artilhada: Com o novo presídio à vista, lá se vai o vinho? “Boa pergunta, mas não sei responder”… Por enquanto a realidade é esta naqueles 1.600 hectares fronteiros ao mar alto: vinha, suínos, bovinos, produtos hortícolas, venda de madeira, venda de pinhas, almejados pinhões, serralharia, oficina auto com bate chapas e pintura.
Vamos ao vinho, palavra mais conclusiva de António Matias, ele também um ex-guarda prisional, que levou a cabo um curso de Engenharia em Agro-Florestal, e é desde há muito o patriarca da produção vínica, na arte do desenrasca, fica a nota de aviso, que o próprio assume: “Não sou especialista, aconselho-me com pessoas entendidas. O trabalho do enólogo e das tecnologias hoje fazem tudo e se tivermos boas uvas temos um bom vinho”. Não enólogo, mete-se com eles… “Muitos fazem a selecção das uvas à porta da adega, como nós, mas há muitos que dizem que fazem, mas não fazem”… Volta à carga… “Não fiz especialização em enologia, estou a fazer agora… Temos, porém, ajuda de Paulo Laureano, que tem uma relação de amizade com o subdirector António Raposo, ex-condiscípulos de universidade. Ainda no meu caso, sou responsável pela parte florestal”.
Solto a tal pergunta que está no goto… “A nova cadeia só disporá de 40 hectares e não sobrarão terrenos para o vinho. O que sabemos é que o novo cárcere estará concluído dentro de três anos, actualmente decorrendo o lançamento do concurso”. Aqui para nós, que não somos de intrigas…, aqueles 1.600 hectares são cobiçados, na sua peugada estão grupos poderosos preparados para o turismo, o mar e a natureza à espreita…

Assim se poderá desfazer a estória dos vinhos de Pinheiro da Cruz, que por ali moram desde os idos de 60, produzidos essencialmente para consumo do presídio, no tempo em que os reclusos ainda podiam ir à fonte, realidade impensável nos dias que correm. Um território tomado pelo Estado em 1951, onde se instalou um campo de trabalhos para condenados. Reza a história curiosa que aqueles impantes 1.600 hectares foram pertença de um posteriormente recluso, de seu nome Alves dos Reis. E esta? E por lá já existiam vinhedos.
Mas, quando precisamente começou a faina, conta Matias que “de entre as actividades laborais com que os detidos se ocupam, reabilitam, instruem, destacam-se o cultivo da vinha e a subsequente produção de vinhos, com uma tradição de mais de 50 anos”. A fase estóica entra na ribalta em 1986, quando os vinhedos de Pinheiro da Cruz começaram a ser renovados progressivamente, respeitando as castas originais, de forma a que a produção e a qualidade do vinho não fossem afectados. Segundo Matias, “a filosofia foi sempre a de não introduzir alterações de fundo a uma história antiga e de sucesso”. Hoje em dia, proclama solene Matias, contamos com 12 hectares de bom vinhedo, fundamentalmente das castas tintas Castelão, Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Syrah e Cabernet Sauvignon. Nas castas brancas, que apenas representam uma pequena parte da área plantada, destacam-se o Arinto, Fernão Pires e Rabo de Ovelha. Ida à receita: os métodos utilizados na vinificação são ainda tradicionais. A vindima faz-se de forma manual, a fermentação processa-se em pequenos lagares tradicionais com temperaturas controladas pelo ambiente natural, com desengaço, onde se misturam todas as castas tintas. O acabamento e estabilização são realizados em depósitos de inox, sendo disponibilizado normalmente para consumo no ano imediato à colheita.
Queixa de Matias: “antes éramos Vinho Regional Alentejano, em 1992 passámos a Terras do Sado… Talvez prejudicial, porque o Alentejo é mais chamativo para os consumidores”. Outro rosário: “temos a vinha do país mais plantada em solos mais pobres, não é areia, é um pó com muito pouca fertilidade”. Mais lágrimas: “acima de tudo produção rudimentar, métodos tradicionais, por vezes à deriva com condições para operar; se um ano vier mais quente os teores alcoólicos sobem, mas o vinho tinto anda nos 13º, caso do último Pinheiro da Cruz 2007”.
Está lançada a madeira… “Acabámos com a madeira pela vertente económica, tínhamos dez barricas, mas o seu período de vida acabou”. Deste vinho que tem sido motivo de diversos encómios, contudo a distribuição deixa a desejar, operada por uma empresa não especializada no sector. O que vale é comprar na loja do presídio, mais ou menos 25 mil litros de tinto e cinco mil de branco estão à disposição, 2006/2007, mas o branco (2006), hossanas, já esgotou. Fica ainda a dica: para quem tiver acesso à Makro de Palmela pode comprar os altaneiros pinheirinhos, os tintos de 2006/2007 (PVP 6€) e o branco de 2007, com a parcimónia de 3,5€. A estrela da companhia reside no Grande Escolha Tinto 2006 (PVP 6,5€).



O KOSCHER DA ADEGA DA COVILHÃ
{A VIGILÂNCIA DE UM PROCESSO METICULOSO}

AS UVAS SÃO NOSSAS, as mãos que controlam o vinho são judias, também nossas, fortificadas na comunidade de Belmonte. Um conceito vinho/cultura que abre alas… para o mundo. Numa súmula categórica manda assim o “regulamento”: vinho Kosher – “próprio”. “De carácter religioso judaico é diferenciado em relação ao vinho comum devido à sua forma peculiar de produção. Esta é da responsabilidade da equipa técnica da Adega da Covilhã, contudo, o seu manuseio fica ao cuidado de elementos da comunidade judaica. Qualquer produto adicionado ao vinho terá que ter este mesmo certificado – Kosher (exemplo, não poderá ser de origem animal), o que atribui garantias ao consumidor que foi produzido segundo as tradições e costumes judaicos. É um vinho produzido não só para a comunidade judaica como para todos aqueles que apreciem um copo de vinho”.
O mais desta prédica é ir aos confins da religião judaica que para o caso seria ocioso introduzir aqui. Importa os factos, como descreve Manuel Patrício, enólogo da Cooperativa da Covilhã: “Este vinho é essencialmente igual aos outros. No tempo das vindimas é que são elas, é uma confusão, porque os representantes da comunidade judaica têm de supervisionar todas as operações para a construção do Kosher”.
Dando a palavra ao presidente da Cooperativa, Matos Soares, engendra-se a história do Kosher naquelas paragens: “Há dez anos iniciou-se o trabalho com a Comissão Regional de Turismo e a ideia era a de estabelecer uma Rota de Vinhos e das judiarias, até porque fora de Lisboa a maior comunidade judia é a de Belmonte”. Até que em 2003 saiu o primeiro Kosher, com uma produção de 60 mil litros; em 2005, segunda colheita, rendeu 40 mil litros, este mesmo vinho que iniciou a comercialização há dois anos e corre actualmente os seus termos.
Como nos salientam, os primados passam, embora se trate de um vinho comum, por uma higiene especial, tal que na altura levou a adquirir equipamento especial de lavagem de alta pressão. Passo a passo se constrói o mister… A vindima não é feita pelos judeus, mas a partir daí as uvas só são manuseadas por eles, com a direcção de um Rabino e assim até ao final do ciclo. Depois das vindimas fica tudo selado, para que ninguém possa mexer nos depósitos de inox.

Proibitivos são os produtos de origem animal, como aditivos; leveduras e vários produtos enológicos são Kosher, tudo isto também controlado pela comunidade local. Embaraço relativo para a cooperativa é o facto de que quando estão a fazer o Kosher não podem trabalhar os seus próprios vinhos. E o negócio, ai dele? Segundo Soares, “acho que é um bom nicho de mercado, mas tem de ser bem explorado; a iniciativa pertenceu à direcção anterior e cabe agora a nós conquistar os mercados”. Por exemplo, recolhemos a intenção, ainda este ano, de uma acção conjugada com várias autarquias da Beira Interior, no âmbito do PROVER, a bem da divulgação dos produtos Kosher ao mesmo tempo que se tentará implementar a Rota das Judiarias.
E o que são outros Kosher? O belo do azeite, produzido em Penamacor, queijos em Peraboa e compotas de lamber os beiços em Trancoso. O pequeno mundo Kosher, ao acesso dos judeus e dos outros. De resto, nem tudo está por fazer na divulgação do conceito, basta dizer que os Estados Unidos da América é bom comprador e isto a partir logo de 2003. Uma boa parte do vinho conhece esse destino, através de um importador judeu com arraiais assentes em Nova Iorque. Para não parar, a Cooperativa da Covilhã atacará agora o mercado de São Paulo.
Mas o efeito Kosher tem tentáculos um pouco por todo o mundo onde estão sedeadas comunidades judaicas, mais próximo de nós Barcelona é uma boa montra de êxito para este vinho. Entre nós, as bandeiras de marca que se agitam compreendem dois produtos, a saber: Terras de Belmonte e Sepharad Reserva, ambos tintos. O primeiro com recurso às castas Aragonês, Jaen, Touriga Nacional, Trincadeira e Rufete, o segundo incorporando Tinta Roriz, Touriga Nacional e Trincadeira. Sobre o abracadabra dos estágios, o Terras de Belmonte dorme dois meses em carvalho francês e seis na garrafa; quanto ao Sepharad Reserva precisa de 12 meses no carvalho e seis na garrafa. Na calha dos preços, o Reserva equivale a 10,45€ e o Belmonte puxa aos 8,41€. E regulamonos aqui pelos preços praticados na catita loja da Cooperativa.
Curiosidade é o êxito do vinho em Belmonte. Nenhum restaurante que se preze o deixa de ter, não pelo número de judeus residentes, cerca de cento e tal, mas pelo fenómeno turístico, centro de peregrinação de milhares de judeus oriundos das sete partidas do mundo. Nós que não andamos a cirandar em Belmonte, é mais fácil ir comprar ao gourmet do Corte Inglês alfacinha.
Mas achamos legítimo chamar a esta peça Virgílio Loureiro, na sua qualidade de consultor da Cooperativa da Covilhã, para isso recolhemos os dizeres do mestre, expostos assim no seu discurso directo: “Importa salientar que o vinho judaico tem um significado preciso, muito distinto do conceito que os cristãos têm do vinho. Um vinho judaico ou kosher é um vinho impoluto, sujeito a regras rígidas, cuja finalidade é assegurar, sob a estrita supervisão do rabino, que nenhum gentio o possa falsificar, isto é, associá-lo a uma ideia de libação, mesmo que só em pensamento!”
Independentemente das causas históricas da Lei e dos Costumes judaicos relacionados com o vinho, o que é certo é que praticamente todos os judeus bebem vinho com moderação, habituados que estão a fazê-lo desde crianças. Já o mesmo não acontece com os cristãos, onde os excessos são frequentes, pois prevalece a herança grega e romana, onde o vinho sempre esteve associado às libações, aos excessos e ao culto a Diónisos ou Baco.



LICOR DE SINGEVERGA
{A ABENÇOADA MANUFACTURA}

QUEM DERA ao repórter que muitos vinhos tivessem o final de boca que possui o licor Singeverga! No Mosteiro existe a rebelião contra os licores sintéticos e têm razão, até porque sabem o que fazem com o seu, puro e cristalino!
Abençoados monges, diz o repórter depois de entrar no Mosteiro ao ser presenteado com um licoroso Singeverga. Estala na boca, melhor, tem um final de boca supremo. É o artesanato mais concebido que um dia testámos. Para todos os efeitos da crónica, o que levámos ao céu-da-boca já tinha dormido na garrafa 50 anos. Os mais jovens são bons, mas aprendemos que no guardar está o ganho.
Bisbilhotamos na biblioteca diversos livros e toma lá este “missal”, lavra escorreita dos monges, devida vénia: “Desconhecedores das chamadas ‘essências sintéticas’ da indústria moderna, os monges cultivavam nos seus viridários as mais variadas plantas aromáticas, de que extraíam, ao depois, por engenhosos, ainda que rudimentares, processos de destilação, as finíssimas essências com que eram preparados esses deliciosos néctares, tantas vezes imitados, mas nunca igualados”. A prosa, quanto a nós, assenta na fatiota de trabalho que persiste no Mosteiro de Singeverga (www.mosteirodesingeverga.com), quartel-general em Santo Tirso, à ilharga a aldeia de Roriz. Cicerone, o padre Albino Sampaio Nogueira, a quem os antepassados deram a tarefa de operar o licoroso. Um homem que apresenta a serenidade emanada pelo Mosteiro, estivemos para procurar guarida, apetece. Do bornal sacámos a pergunta feroz que palpitava desde há uns tempos, mas dispostos a levar uma tampa… De que é composto o licor? O padre Albino sorri e faz questão de explicar: “Base de álcool etílico a 95º, depois dez litros de água, no fim o licor fica a 30º, açafrão, canela em pau, coentros, calano aromático, raiz angélica, baunilha em vagem, chá preto e mirra”. O milagre está assim urdido.
Das componentes apresentadas, uma sai cara ao Mosteiro, na palavra do nosso interlocutor: “O açafrão é ouro, vem de Espanha e custa 3,100€ por quilo. Antes custava 1,300€ e precisamos de 200 gramas dele para 400 litros de licor”. Ao primeiro contacto com a adega faz-nos saltar o cartaz que anuncia a existência de livro de reclamações… “A ASAE já veio cá”, enuncia Albino…

Depois do assalto às bolas de Berlim das praias, ninguém passa ao largo, é o que é… Pois Singeverga, o nome, é de origem germânica e significa protectora da arte, “nome feminino”, acentua o padre, não fosse o repórter distrair-se… Este responsável pelo licor está no Mosteiro desde os idos de 1989 e começa aí a labuta licorosa. Não é para brincar: fabricar 10/11 vezes por ano, equivalente cada vez a uma semana de trabalho no duro, cada remessa de 400 litros. Nos tramites do licor entendam-se quatro dias em maceração, agitando-se quatro vezes por dia; depois destilam água num dia; a cor começa a despontar e é topázio; vem um xarope em água destilada, açúcar e ácido cítrico, que se associa ao resto e para dar cor e baixar o volume de álcool, contem-se mais dois dias de trabalho e ainda nos falta um corante de caramelo à parte, para dar mais cor. Ufa, falta ainda um pouco de amêndoa amarga e flor de laranjeira, tudo a chamar ao aroma, mas em pouca quantidade. Vamos já às barricas prontinhas, onde estagia pouco mais de um ano - “se fosse mais ficava mais suave, mas há falta de barricas de carvalho”, explica Albino. Mas no que nos enganávamos era sobre a data da criação do licor, estávamos nós a pensar em séculos… Monge Albino conta: “Não vem de séculos, foi o engenheiro químico Botelho que estudou a fórmula. Era um amigo do Mosteiro e tudo se iniciou em 1945, oficialmente, porque as primeiras experiências começaram cinco anos antes”. Dos escolhos da actividade pede tréguas o nosso cicerone… “A parte burocrática é muito complicada”! Mas talvez tudo se esbata quando a boca chega ao licor, não? “Os monges bebem sobretudo aos domingos, quando se celebram os santos e em festas de anos”, exclama o monge. E vinhaça? “Nós fazemos vinho e também o bebemos e ainda o vendemos à porta, basta as pessoas trazerem um garrafão”. Agora estamos nós de aflitos, em causa alheia… Vai haver continuidade para o licor, não vá o padre Albino abalar um dia? “Tenho algumas dúvidas, talvez venha a ser assegurado por um estudante de Teologia que temos cá no Mosteiro que se mostra interessado pelo licor”. E o que é também importante: vamos às compras e levar o Singeverga no Continente, Pingo Doce, Jumbo e Feira Nova, todas estas superfícies encarregaramse de pôr de uma forma central a distribuição em todos os seus espaços, o que facilita o trabalho do Mosteiro, que antes andava a calcorrear todas as portas e não podiam ser todas, explicam-nos. Vêm ainda as mercearias velhinhas do Porto, que vendem essencialmente nos meses de Novembro e Dezembro.
E, claro, no Mosteiro está ao dispor. Gáudio para a confraria foi o ano passado… Sete mil garrafas de meio litro comercializadas, cada com um custo PVP de 15€. Depois fraca venda é a de garrafas de 0,70, assim como as miniaturas, as primeiras, diz triste Albino, “não vendem nem mil”. Do lado das miniaturas a euforia queda-se pelas oferendas em casamentos… Já agora, convidamos a encomendar via licor.singeverga@sapo.pt Mas, o melhor é ir um destes dias até Roriz. Ganha o ar puro, a beleza circundante ao Mosteiro, pode ver ali uma colecção de borboletas, obra maior de um monge, que se considera quase rara e, claro, degustar o licor, que os monges apelidam de grande digestivo.

Texto: EDUARDO MIRAGAIA
Fotos: FABRICE DEMOULIN E GIUDITTA BUSSETTI
Wine 33

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