Pouco se sabe sobre as origens da casta Antão Vaz. Apesar da aura misteriosa que a rodeia, uma coisa se conhece: a sua filiação alentejana. E também que viajou pouco. Fora do seu Alentejo natal, apenas a Península de Setúbal a planta com alguma expressão, e não se encontram sinonímias para ela noutras regiões – como acontece com tantas outras castas –, comprovando-se assim a sua falta de apetência emigrante... Consensual, amada igualmente por viticultores e enólogos, a Antão Vaz é indiscutivelmente o “ex-libris” das castas brancas alentejanas, o orgulho e alma dos produtores locais. Particularmente bem adaptada ao clima soalheiro da grande planície, apresenta excelente resistência à seca e doença. Mais: é consistente, produtiva, e amadurece de forma homogénea. Tudo condições mais do que suficientes para a tornar incontornável no cenário dos vinhos brancos alentejanos. Por regra, dá origem a vinhos estruturados, firmes e encorpados, embora por vezes lhe falte acidez refrescante e revigorante. Daí a associação comum com as castas Roupeiro e Arinto, que contribuem com uma acidez mais viva. Se vindimada cedo, pode dar origem a vinhos vibrantes no aroma e a acidez firme; se deixada na vinha, pode atingir grau alcoólico elevado e aromas fragrantes, o que a torna boa candidata ao estágio em madeira. Os vinhos extremes de Antão Vaz apresentam por regra aromas exuberantes, apresentando-se estruturados e densos no corpo. Quer bons exemplos que lhe permitam descobrir a bondade da casta? Então experimente dois exemplares, com e sem estágio em madeira, de modo a descobrir duas vertentes da casta: Couteiro Mor Antão Vaz 2004 (sem madeira) e Dolium Antão Vaz Escolha 2004 (com madeira). Refira-se que o propósito desta secção é caracterizar algumas das principais castas mundiais, com particular ênfase no nosso rico e vasto património ampelográfico, exaltando o que cada casta nos pode ofertar.
QUER EXPERIMENTAR?
Quer bons exemplos que lhe permitam descobrir a bondade da casta? Então experimente dois exemplares, com e sem estágio em madeira, de modo a descobrir duas vertentes da casta:
■ Couteiro Mor Antão Vaz 2004 (sem madeira)
■ Dolium Antão Vaz Escolha 2004 (com madeira)
O FACTOR PRIMORDIAL NA CARACTERIZAÇÃO DE UM VINHO
A VIDEIRA é uma planta trepadora, com um ciclo de vida relativamente alargado (em média 30 anos de vida útil), pertencente à família botânica Vitaceae, a qual pode ser subdividida em centenas de géneros, dos quais apenas nos interessa reter o género Vitis, que engloba todas a classes de videiras. A quase totalidade dos vinhos é elaborada a partir da espécie Vitis Vinífera, igualmente conhecida por ser a única espécie de origem europeia, mãe de todas as castas actuais. Existem aproximadamente 10.000 castas de Vitis Vinífera. Cada casta apresenta folhagem própria, cachos distintos no tamanho e forma, e sabores diferenciados, que dão origem a mostos diferentes e, necessariamente, a vinhos com perfis, sabores e aromas distintos. Se contabilizarmos os factores essenciais na qualidade e perfil de um vinho (clima, solo, viticultura, prática enológicas), a casta é seguramente o factor primordial na sua identificação e caracterização. Para o enólogo, por exemplo, é fundamental saber se a casta floresce ou amadurece cedo, se é vigorosa, se resiste bem a doenças ou à podridão, se a película da uva é grossa (vinhos com mais cor) ou se a uva tem muitas grainhas (taninos mais elevados).
Rui Falcão
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